Sempre fui, e julgo que, pelo andar da carruagem, continuarei a ser um admirador das qualidades de Paulo Bento enquanto treinador. Apesar de, por vezes, exagerar nas suas medidas disciplinares, é um excelente líder, com um grande capacidade para controlar um balneário e unir um grupo de trabalho.
Nunca será demais afirmar que grande parte da excelente prestação de Portugal no Campeonato da Europa de 2012, se deveu a ele e à forma como geriu os jogadores que tinha à sua disposição. Não inventou, soube escolher os melhores e foi por mera infelicidade que não chegou à final do Torneio. A continuação do seu percurso, em Portugal, efectivou-se na passada Quarta-Feira, no particular frente à equipa do Panamá. Pareceu-me, ao contrário do que se tem dito, que a convocatória foi feita de forma inteligente. Paulo Bento praticamente não mexeu nos jogadores que estiveram no Europeu (excepção feita à troca de Quaresma por Carlos Martins) e aproveitou para colocar à prova aqueles que lhe poderiam suscitar mais reticências na hora de fazer a convocatória para os jogos oficiais, de apuramento para o Mundial de 2014.
E é por esse mesmo motivo que, apesar de ter vencido a selecção do Panamá, Paulo Bento pôde comprovar que existem ainda algumas fragilidades no jogo de Portugal. Um dos jogadores que, a meu ver, perdeu a sua última hipótese de se afirmar, por Portugal, foi Hugo Viana. Comprovou-se aqui, uma vez mais, que Paulo Bento tinha razão quando não o queria chamar para o Europeu. Ainda hoje acho que Hugo Viana só foi convocado como que para provar que o jogador não tem as características necessárias para o esquema de Portugal. O actual jogador do Braga não consegue jogar em 4-3-3, uma vez que as suas características não são, de todo, propícias para este tipo de jogo. Hugo Viana não é capaz de jogar num esquema em que é obrigado a fazer pressão todo o jogo e que o incentive a fazer transições rápidas da defesa para o ataque. Na equipa de Portugal, Veloso, Meireles e Moutinho têm de fazer esse trabalho durante 90 minutos, sem a possibilidade de errar. Qualquer distracção de um destes jogadores deixa, imediatamente a equipa descompensada. Também Carlos Martins e Rúben Micael, apesar de, neste momento, não serem as primeiras escolhas, têm essa noção e sabem como ser opções credíveis para Meireles e Moutinho, principalmente. Hugo Viana é diferente. Apesar de ter grandes qualidades técnicas, faltam-lhe outros atributos que não lhe permitem ser útil para a equipa de Portugal. A ser feita justiça, nesta altura um jogador que encaixaria perfeitamente na equipa de Portugal seria Manuel Fernandes. Na minha opinião, essa sim foi a grande injustiça nos jogadores preteridos para o último Europeu. Enquanto grande parte da comunicação social pedia por Hugo Viana, todos se esqueciam de Manuel Fernandes, que fez uma temporada de elevado nível na Turquia, sendo inclusivamente um dos melhores jogadores da equipa do Besiktas. Merecia mais e teria muito mais facilidade em integrar-se num 4-3-3, tendo em conta as suas características físicas e técnicas, do que Hugo Viana.
Apesar de saber que Paulo Bento não irá mexer muito nas próximas convocatórias, parece-me que Hugo Almeida também já é um jogador a mais na equipa. Existindo Postiga, que não sendo um prodígio de técnica, cumpre sempre que é chamado, e Nélson Oliveira, que consegue aliar uma boa capacidade técnica com um bom porte físico, penso que o actual ponta-de-lança do Besiktas torna-se numa opção dispensável para Portugal. Não considero que Hugo Almeida seja um mau jogador, mas não me parece que tenha as características necessárias para jogar sozinho, na frente de ataque de Portugal. Apesar do ter um bom porte físico, não tem as características que o tornariam numa opção que ofereceria a Portugal outro tipo de soluções: não sabe jogar de costas para a baliza, tem dificuldades para combinar com os seus colegas de equipa e sempre lhe faltou mais assertividade para utilizar o seu jogo de cabeça.
Finalmente, também me parece que Portugal não tem substitutos à altura de Pepe e de Bruno Alves. Rolando e Ricardo Costa não oferecem garantias a ninguém e parece-me que também não será com Nuno André Coelho e Sereno que a situação melhorará. É urgente encontrar novos jogadores para esta posição.
Pelo lado positivo, parece-me que Miguel Lopes é uma boa solução para o lugar de João Pereira, embora tenha as minhas dúvidas em relação à sua capacidade para tirar o lugar a Danilo, na equipa do Porto. No lado esquerdo, creio que Eliseu poderá ser sempre uma boa solução para o lugar de Coentrão e na baliza creio que será sempre Eduardo a fazer sombra a Rui Patrício (ainda estou para tentar perceber a ideia de Beto, em ir para Braga, quando já lá estava Quim).
De resto, não me parece que Paulo Bento vá mexer muito mais nesta fase inicial da qualificação para o Mundial de 2014. A fazer lembrar Scolari, o actual seleccionador nacional encontrou um “núcleo duro” de 17,18 jogadores e será sempre nos restantes 5, 6 jogadores que as convocatórias irão divergir. Qualidade não falta a Portugal para estar no próximo Mundial.

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